Pazuello mata no peito

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello surpreendeu ao não recorrer ao habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, respondendo a todas as perguntas dos senadores na CPI da Covid. Se a ideia era responder, por que buscou a salvaguarda?

A julgar pelas atitudes algo atrevidas do general, foi uma forma de intimidar a comissão a fim de conter, principalmente por parte do relator, abordagens mais agressivas.

Pazuello ousou, como nenhum outro depoente até agora, enfrentar os senadores, interrompendo, contestando o tom e o conteúdo das indagações, além de ter recorrido várias vezes à embromação. Por menos, o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, o ex-chanceler Ernesto Araújo e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foram duramente admoestados.

O depoimento do general frustrou as expectativas de quem esperou que ele fosse triturado pela CPI, mas atendeu a um dos objetivos da comissão que é o de investigar se o presidente da República foi omisso na gestão da crise sanitária.

No afã de proteger Jair Bolsonaro, Eduardo Pazuello assumiu responsabilidade por todos os atos à frente do ministério. Como se diz, matou no peito. Mas, ao fazer isso, ao dizer que nunca recebeu quaisquer ordens, de natureza alguma, de seu superior, disse também que o presidente da República foi completamente omisso no exercício da chefia do governo.

Alegou que Bolsonaro fez apenas “uma declaração política” em resposta a postagens de internet quando anunciou que não compraria vacinas do instituto Butantan, sem validade concreta. Em outras palavras, Eduardo Pazuello afirmou que o que o presidente diz não se escreve.

O Palácio do Planalto, como foi ventilado, pode até comemorar o desempenho do general, mas se achar que o presidente Bolsonaro ficou bem na foto estará em estado de autoengano em seu habitat natural da negação.

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Fontes Retirada do Site Veja Abril link da Matéria aqui….

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