O alto custo da dependência na pandemia

A pandemia deixou o Brasil exposto numa situação de absoluta dependência tecnológica no setor de Saúde. Antes da devastação provocada pelo vírus, o país gastava em média US$ 25 bilhões por ano com importações de medicamentos, equipamentos e material de proteção médico-hospitalar. A Covid-19 já matou mais de 414 mil pessoas, e a despesa passou em Saúde subiu para o patamar de US$ 35 bilhões anuais.

As compras externas em tecnologia de Saúde já consomem um volume de dinheiro equivalente ao orçamento do Ministério da Saúde antes da Covid-19. Visto de outra forma, o gasto já corresponde a 35% do faturamento do agronegócio em vendas ao exterior no ano passado — essas exportações somaram US$ 100 bilhões. Essa fragilidade é um dos tópicos previstos para discussão na CPI da Pandemia.

Análises da Fundação Oswaldo Cruz indicam o Brasil em estágio crítico. Depende de fornecedores estrangeiros para mais de 80% dos insumos farmacêuticos ativos aplicados nos remédios e vacinas que consome. E, também, para os sensores e componentes vitais aos equipamentos médico-hospitalares que usa. No caso de equipamentos de proteção individual (máscaras, luvas e aventais, entre outros) as compras externas equivalem a 60% das necessidades.

A escassez de matéria-prima para produção vacinas dá visibilidade a uma situação na qual o país está   refém de suprimentos da China (para a Coronavac do Butantan) e da Índia (para a Fiocruz).

Delírios bolysonaristas na política externa levaram a China a impor uma política de abastecimento de insumos a conta-gotas para o Brasil. A tragédia em curso na Índia, que passou à liderança mundial em  mortes diárias pelo vírus, deve complicar ainda mais o fluxo de vacinas para os brasileiros nos próximos meses, prevê o Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

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No início do ano, o governo Jair Bolsonaro importou dois milhões de doses de vacina do instituto indiano Serum, integrante do consórcio Oxford-AstraZeneca. Pagou US$ 5,2 por dose, valor 148% acima do que pagaram países europeus (US$ 5,2 cada dose).

O cenário à frente é ruim. Na Saúde, uma dezena de países concentra nove de cada dez patentes de insumos e medicamentos.

O Brasil tende a seguir à margem dessa lista, porque se mantém estagnado em pesquisa, desenvolvimento e inovação em praticamente todos os setores produtivos.

Por ano, o país registra 26 mil pedidos de novas patentes. É um volume similar ao de duas décadas atrás.

A Coreia do Sul registra em média 225 mil  e a China 3,6 milhões anualmente. Há 40 anos eram nações em estágio de dinamismo e diversificação tecnológica similar ao do Brasil.

Os brasileiros estão pagando caro, e cada vez mais, pelo histórico de equívocos e ineficiência nas políticas públicas de educação, ciência, pesquisa, tecnologia e inovação.

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Fontes Retirada do Site Veja Abril link da Matéria aqui….

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